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Centenas de argelinos celebraram nas ruas de Argel a renúncia do Presidente Abdelaziz Bouteflika, que estava há 20 anos no poder. Demissão do chefe de Estado acontece após semanas de pressão popular e do Exército.

Na Argélia, depois de seis semanas intensas de protestos, centenas de pessoas reuniram-se na noite de terça-feira (02.04) no centro da capital Argel para comemorar a renúncia do Presidente Abdelaziz Bouteflika.

Nas ruas, ouviram-se cantos e buzinas e agitaram-se dezenas de bandeiras nacionais. O sentimento é de esperança de uma nova era para o país.

“Vim para comemorar a renúncia de Bouteflika, conseguimos remover o maior pino, mas precisamos de remover todo o regime anterior e isso é difícil. É difícil fazê-lo pacificamente, mas estou confiante de que o povo argelino conseguirá fazê-lo em paz, se Deus quiser”, disse Selmaoui Seddik, um dos cidadãos nas ruas.

“Estamos felizes com a demissão de Bouteflika. Eu estou do lado do exército”, afirmou uma cidadã.

O argelino Selim Sarar considerou que é preciso “continuar o movimento popular para que todas as reinvindicações do povo argelino sejam atendidas”. Segundo este cidadão, “queremos um período de transição, com o povo no Governo, e não com o sistema atual, porque senão será como se este movimento nunca tivesse acontecido”.

Abdelaziz Bouteflika renunciou, oficialmente, esta terça-feira ao cargo de Presidente, que ocupa há mais de vinte anos. O anúncio foi feito pela televisão, que citou fonte da Presidência.

Onda de manifestações

Esta é uma decisão que surge depois de uma onda de protestos nunca antes vista no país e à qual Bouteflika tentou responder com algumas promessas de mudanças.

Primeiro, a 11 de março, o gabinete da Presidência anunciou que Bouteflika iria retirar a sua candidatura a um quinto mandato. Anúncio este que não enfraqueceu os protestos nas ruas.

No último domingo (31.03), e em mais uma tentativa de acalmar as manifestações, o Presidente anunciou a nomeação de um novo Governo, que tinha como objetivo abrir a porta à renovação política no país.

No entanto, os argelinos não se mostraram agradados devido à óbvia proximidade entre alguns dos membros deste novo Executivo e a velha guarda de Bouteflika. Razões que pressionaram mais um anúncio, desta vez na segunda-feira, no qual Bouteflika garantia que abandonaria o cargo de Presidente antes de 28 de abril, datam em que termina o seu mandato. Algo que acabou por se tornar oficial cerca de 24 horas depois.

Pressão do Exército 

O anúncio da demissão de Bouteflika foi feito poucas horas depois do Ministério da Defesa do país ter exigido a sua retirada do poder. O chefe do Estado-Maior do Exército, o general Ahmed Gaid Salah, que foi em tempos um dos apoios do Presidente, afirmou que Bouteflika deveria ser declarado como inapto para o cargo. E grantiu que “a nossa decisão é clara e não há como voltar atrás. Estamos do lado das pessoas”.

O Conselho Constitucional deverá reunir-se, esta quarta-feira, para confirmar a renúncia de Bouteflika. De acordo com a Constituição da Argélia, em caso de renúncia do Presidente da República, o presidente do Conselho da Nação, neste caso Abdelkader Bensalah, deve ser conduzido ao cargo de presidente interino por um máximo de 90 dias, até que novas eleições possam ser organizadas.