A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental, alargada à Mauritânia e ao Chade, anunciou um plano de ação 2020-2024, no valor de mil milhões de dólares, de luta contra o terrorismo islâmico.

No decorrer da cimeira extraordinária da CEDEAO, no Burkina Faso, a comunidade anunciou no sábado (14.09) que decidiu “mobilizar recursos financeiros até mil milhões de dólares [cerca de 900 milhões de euros] para a luta contra o terrorismo”, disse o Presidente do Níger, Mahamadou Issoufou.

O plano e o respetivo orçamento serão apresentados em dezembro, na cimeira ordinária da organização, mas o dinheiro vai ser usado principalmente para “fortalecer as capacidades operacionais” dos exércitos nacionais, bem como as forças conjuntas, “como o G5 Sahel ou a Força Conjunta Multinacional da Bacia do Lago Chade”.

A luta contra o terrorismo islâmico na região tem sido dificultada pela falta de fundos. A força militar conjunta do G5 Sahel foi criada em 2014 para resolver o problema, com o apoio de França. Desde julho de 2017 que reúne tropas do Burkina Faso, Chade, Mali, Mauritânia e Níger numa tentativa de travar os grupos radicais islâmicos. Mas a falta de financiamento, treino e equipamentos limita o seu trabalho e os seus números. Até agora, a força conta com quatro mil soldados, quando estavam inicialmente previstos cinco mil.

“A [força conjunta] G5 está longe de estar morta. O comunicado final da cimeira revela o apoio que existe no seio da CEDEAO”, disse, no entanto, Mahamdou Issoufou, rejeitando alegações de ineficácia.

Uma crise sem precedentes

No arranque da cimeira, o presidente da comissão da CEDEAO, Jean-Claude Brou, lembrou as crescentes perdas humanas, políticas e económicas dos ataques terroristas islâmicos: “2.200 ataques nos últimos quatro anos, 11.500 mortos, milhares de feridos…milhões de deslocados e atividade económica foi muito afetada”, afirmou.

O Presidente do Burkina Faso, Roch Marc Christian Kaboré sublinhou, por sua vez, que “as ameaças transcendem fronteiras. Nenhum país está seguro” e que “a escalada da violência levou a uma crise humanitária sem precedentes” no Sahel.

Na quinta-feira (12.09), dois soldados foram mortos em dois ataques em simultâneo no norte do Burkina Faso. É o mais recente de uma série de ataques mortíferos contra as forças de segurança do país.

Para o Presidente da Costa do Marfim, Alassane Ouattara, “a MINUSMA (a missão de paz da ONU no Mali) e o G5 Sahel não suficientes. Temos de encontrar mais e melhores meios de coordenação”.

Também Mahamadou Issoufou insistiu que “a comunidade internacional não pode ignorar e tem de assumir as suas responsabilidades”.

A CEDEAO vai também pedir ao Banco Mundial e ao Fundo Monetário Internacional que considerem os gastos com segurança um “investimento” e angariar apoios junto dos doadores ocidentais e árabes na luta contra o extremismo islâmico, disse o Presidente do Níger.

Na semana passada, o secretário-geral da ONU, António Guterres, apresentou um cenário sombrio: “Acredito plenamente que não estamos a vencer a guerra contra o terrorismo no Sahel e que a operação deve ser reforçada”.

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