“Todas as pessoas acusadas pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) devem responder às acusações”, afirmou esta terça-feira Mohamed al-Taayichi, membro do Conselho Soberano do Sudão.

Foi desta forma que Cartun anunciou esta terça-feira, 11 de Fevereiro, entregar o antigo Presidente sudanês, Omar al-Bashir, ao Tribunal Penal Internacional.

Há mais de dez anos, desde 2009, que os juízes do TPI tentam trazer al-Bashir a Haia para responder por várias acusações de genocídio e crimes cometidos pelas milícias governamentais durante o conflito no Darfur, entre 2003 e 2008, em que morreram 300 mil pessoas.

Al-Bashir tornou-se um dos mais célebres fugitivos do TPI, que emitiu dois mandados de detenção, em 2009 e em 2010, mas que nunca foram cumpridos. Estima-se que al-Bashir tenha feito cerca de 150 viagens ao estrangeiro desde 2009.

O padre comboniano José Vieira, que viveu no Sudão, reage ao anúncio que considera ser “surpreendente a todos os títulos”.

“Há cerca de um mês, quando o Presidente al-Bashir foi julgado por ter uma grande quantidade de dinheiro estrangeiro em sua casa e foi julgado com uma pena pequena, houve grupos que queriam que ele fosse julgado pelos crimes que ele cometeu no Darfur. Nessa altura, falou-se que o governo sudanês não estava interessado em leva-lo a tribunal por causa de Darfur”, descreve o padre comboniano.

“Ao mesmo tempo houve um grupo de Darfur que levantou essa possibilidade; de o enviar para Haia para ele se sentar no Tribunal Penal Internacional e responder pelos crimes de que é acusado, nomeadamente, crimes de guerra e crimes contra a humanidade”, prossegue.

Omar al-Bashir foi destituído do poder e preso no passado 11 de Abril de 2019 pelo Exército sudanês depois de um um levante popular, e substituído por um “conselho militar de transição” que dirigira o país por dois anos.

O conflito do Darfur custou a vida a 300 mil pessoas e obrigou 2,5 milhões a deslocarem-se.